O auditório Abrahão de Moraes, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IFUSP), recebeu na última sexta-feira, dia 28 de março, um dos eventos de premiação do Torneio de Física para Meninas (TFM). Criado em 2023, com apoio da Sociedade Brasileira de Física (SBF), o torneio tem como objetivo incentivar a inserção de meninas dos ensinos Fundamental e Médio no universo da Física, uma vez que se torna necessário reforçar na sociedade que a mulher tem um papel muito importante nas ciências exatas.

Após um anúncio online geral das vencedoras, o TFM percorre as capitais do País realizando a entrega das medalhas. Na última sexta-feira foi a vez das vencedoras de 2023 e 2024 do Estado de São Paulo. Na disputa do ano passado, 70 meninas de 33 escolas de 18 cidades de São Paulo foram premiadas, o Estado com o maior número de premiadas do País.

Maria Luiza Miguez, coordenadora da TFM e professora do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, em Januária, lembra que entre maio e junho serão abertas as inscrições do TFM 2025, que estará no site (Portal Olimpo) do Instituto Federal do Ceará. “O TFM é um sucesso! A gente dobrou de tamanho, de um ano para o outro, é um projeto que as meninas estão engajadas. Na primeira edição, na primeira fase, o número de inscritas foi em torno de 2 mil meninas; no ano passado foram mais de 4 mil meninas inscritas”, comemora Maria Luiza.

Estiveram presentes na solenidade a professora Maria Luiza; a professora Kaline Rabelo Coutinho, diretora do IFUSP; Rodrigo Capaz, presidente da SBF; professor Mauro Bertoli, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP; Daniel Cornejo, coordenador Estadual da Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP) em São Paulo; e professora Nathalia Tomazio, da equipe da coordenação do TFM.

A primeira fase do TFM é uma prova online e, na segunda fase, uma prova presencial, de preferência na escola na qual a adolescente está matriculada. São aceitas inscrições de alunas de escolas públicas e privadas. As vencedoras do TFM ficam qualificadas para as seletivas das Olimpíadas Internacionais de Física (SOIFs) e para o Torneio Brasileiro de Física (TBF).

“O TFM se insere muito na missão da SBF, em todo o esforço que a gente tem tido para promover a diversidade, equidade e inclusão, não só das mulheres, mas de todos os grupos subrepresentados na Física”, afirma Rodrigo Capaz, que esteve presente à cerimônia no IFUSP. “Desde o início, quando foi trazida essa ideia desse torneio, ficou claro que a gente tinha que dar todo o apoio. Não é um torneio organizado pela SBF, mas a gente dá o apoio como dá para outros torneios relacionados à Física, como o Torneio Brasileiro de Física (TBF)”, explica Capaz.

Em um auditório lotado, Kaline Rabelo Coutinho, diretora do IFUSP, incentivou as meninas e pais presentes no evento a continuarem o caminho na Física e nas ciências exatas. Ela lembrou, por exemplo, que é a primeira vez que uma mulher dirige o IFUSP. E que além de cientista, professora e diretora é também mãe, esposa, amiga, mulher.

“Há um longo caminho a ser percorrido. Embora haja muitas mulheres bem-sucedidas na carreira científica na área de exatas e na área de Física, a gente ainda não ocupa um lugar de destaque. Professoras mulheres na área de Física são da ordem de 23% no Brasil e, no IFUSP é assim também. É importante incentivar meninas jovens nessa área. Em muitas fases da vida, tem gente que quer ser amorosa com a gente e quer desestimular de fazer coisas difíceis. Não é para seguir esse conselho. ‘Filha é difícil, mas estou do seu lado e te apoio’. Faça o que você tem vontade, mesmo que pareça difícil”, afirmou Kaline Rabelo, em discurso. “Tudo está ao alcance de vocês desde que tenham força de vontade e persistência.”

E muitos são os exemplos dessa coragem. Yasmin de Andrade Lima, estudante do SESI de Jacareí, no Vale do Paraíba, ganhou medalha de bronze do TFM de 2023. Junto à família, emocionada, ela recebeu a medalha e explicou à reportagem do Boletim SBF que seu sonho é se tornar uma Física Médica. “As meninas que tiverem interesse em participar do TFM precisam se inscrever, porque é uma forma de mostrar que a gente está presente na ciência. E é uma forma de representar nós mulheres como um todo, não só na área da ciência”, afirma.

Giovanna Batelli ganhou medalha de bronze do TFM de 2024, quando estudava no Colégio Amorim, no Tatuapé, em São Paulo. E o TFM a ajudou a entrar em 2025 na USP, no curso de Geologia. “Eu gosto bastante da Física como área de pesquisa. Você consegue criar muita coisa. A Física abre muitos caminhos na área de inovação, pensando para o futuro”, afirmou.

Outra aluna premiada, esta com medalha de Ouro no TFM de 2023, e que já entrou na USP, é a estudante Lívia Bidoia, que fez Ensino Médio no Objetivo Unidade Paz, em São Paulo. “Foi muito importante a competição. Eu fiquei muito feliz quando o TFM ocorreu. Ele é muito desafiador, requer que você estude muito e tenha conhecimento de teoria e de experimento”, explica ela, que cursa o primeiro ano de Física no IFUSP. “Eu não decidi muito a área que seguirei após a formatura, mas quero fazer pesquisa com certeza. Estou decidindo se quero algo entre Fluídos ou Matéria Escura, algo ligado à Astronomia”, explica Lívia. Que o TFM continue a despertar o gosto pela ciência nas meninas do Brasil que, com certeza, conseguirão elevar ainda mais o nível das pesquisas nas ciências exatas no futuro.

(Colaborou Roger Marzochi)