O prêmio é outorgado a mulheres físicas em início da carreira cujo trabalho de pesquisa tenha contribuído de forma significativa para o avanço da física ou do ensino de física no país. Visa reconhecer contribuições de mulheres para o desenvolvimento da física brasileira, bem como contribuir para diminuir a desigualdade de gênero na física. Podem concorrer mulheres que tenham concluído o doutorado, no máximo, há até 10 anos, e que tenham atuado em instituições brasileiras pelo menos 70% do tempo entre o término do doutorado e o ano da premiação. As vencedoras recebem um diploma e apoio financeiro (grant). Poderão propor indicações para o prêmio Carolina Nemes: (i) qualquer sócio adimplente com a SBF, (ii) a própria interessada em concorrer, (iii) as instituições universitárias, faculdades, institutos e centros de pesquisa por meio de seus departamentos ou programas de pós-graduação. Cada proponente poderá apresentar apenas uma candidata por ano.  As indicações podem ser encaminhadas para o email premiocarolinanemes@sbfisica.org.br.

Regulamento

Veja o regulamento completo do prêmio

Dinalva Aires de Sales
Natalia Vale Asari – UFSC
Fanny Béron – Instituto de Física Gleb Wataghin – Unicamp
Maria Carolina Nemes

Maria Carolina Nemes (1953-2013)​

Iniciou sua carreira em 1974, ao terminar o bacharelado em Física na USP. Obteve o título de Mestre em dezembro de 1975 e o de doutor em 1977 na mesma Instituição sob a orientação do Prof. A.F.R. de Toledo Piza, que em muito contribuiu na sua formação profissional. Obteve o grau de DoctorRerumNaturae Hábil, pela Universidade de Heidelberg em 1984. Após o doutoramento realizou estágios como pesquisadora associada ou professora visitante em várias universidades: Universidade de Wisconsin (1978-79), lnstitute Max Planckde Heidelberg (1978-81), Instituto Lave-Langevin de Grenoble (1983), Universidade de Pádua (1985), Universidade de Paris-Sud (1985) e Universidade de Coimbra (1985, 1987, 1990, 1992 e 1995). Desde 1991 atuou como professora titular da Universidade Federal de Minas Gerais e manteve forte interação com outros pesquisadores do país e do exterior.

No início de sua carreira científica dedicou-se à física de núcleos pesados relativísticos. Mostrou que com estes núcleos podem revelar-se informações estruturais do núcleo inacessíveis a experimentos com elétrons e que algumas experiências podem testar a distribuição de momento dos nucleons na superfície do núcleo. Este trabalho foi frequentemente citado em favor da construção de aceleradores de íons pesados.

Em seguida (1984-88) dedicou-se à dinâmica de correlação de sistema fortemente interagentes. Em uma série de trabalhos mostrou como fazer uma expansão perturbativa consistente. Foi com esta série de trabalhos que conseguiu permissão para candidatar-se, com êxito, ao título de Doc. Rer. Nat. Habil, na Universidade de Heidelberg (era a primeira inscrição para este título de uma mulher, nessa Universidade). Nessa mesma época dedicou-se ao estudo de efeitos mensuráveis da simetria quiral. Dados experimentais relativos ao espalhamento de hádrons foram explicados utilizando uma propriedade fundamental da QCD, a simetria quiral. Estes trabalhos tiveram um reconhecimento internacional através do prêmio PRAXIS XXI da Comunidade Européia.

A partir de 1990, alargou seu campo de pesquisa, dedicando-se à dinâmica caótica térmica. A pesquisa de Maria Carolina Nemes foi pioneira na construção de um formalismo que permitiu incluir efeitos térmicos em dinâmicas clássicas (ou quânticas) caóticas. Este formalismo resultou em vários trabalhos e teses. Reativou a pesquisa em óptica quântica teórica no Departamento de Física na UFMG, tendo seu grupo sido escolhido pelo Centro de Pesquisas da Universidade do Novo México para centralizar uma reunião internacional parcialmente financiado por aquele centro.

Publicou 194 artigos nas melhores revistas especializadas com arbitragem nas áreas de mecânica quântica, física de partículas elementares, teoria de campos e física nuclear relativística. Deve-se destacar a forte interação de Carolina Nemes com os estudantes. Ela sempre foi disputada como orientadora de trabalho de iniciação científica, mestrado e doutorado. Orientou 54 mestrados, 41 doutorados e vários pós-docs, com uma atuação ímpar, que serviu como exemplo para diversos pesquisadores.

Por ocasião do seu falecimento em 2013, o colega físico Alaor Silvério Chaves da UFMG, destacou que o nome de Carolina Nemes traz a todos que a conheceram a lembrança uma mulher sempre amiga e sorridente, incansavelmente envolvida no trabalho de pesquisa e na formação de estudantes. “A física era a sua paixão, os estudantes, membros de sua família estendida. Em sua casa os estudantes compareciam sem cerimônia e quase sem interrupção para discussões sobre suas pesquisas. Alaor ainda relatou que foi exatamente num desses fatos de rotina que Carolina Nemes foi encontrada inconsciente, mas ainda viva, logo após acidentar-se, por um dos seus colaboradores, que compareceu à sua casa em visita de trabalho. 

Linhas de Pesquisa

– Mecânica quântica de sistemas abertos.

– Teoria quântica de campos.

– Físicanuclear relativística: estrutura e reações.

Títulos

– Bacharel (Física) – Universidade de São Paulo, USP – 1974.

– Mestrado – USP – 1975.

– Doutor (Física) – USP – 1977.

– Livre-docente – Universidade de Heidelberg – 1984.

– Professora titular – Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG – 1991.

Posições

– Instituto de Física (USP) 1986 – 1991 – Profa. Adjunta

– Departamento de Física (UFMG) 1991 – 2003 – Profa. Titular

Prêmios

– Comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico, Ministério da Ciência e Tecnologia – 2008

– Titular da Academia Brasileira de Ciências – 2006

– Pequisadora 1A CNPq

– PRAXIS XXI da Comunidade Européia

Participação em sociedades científicas

– Titular do Conselho da Sociedade Brasileira de Física

– Diretora da Academia Brasileira de Ciências, 2011